
Massa da sorte
Surgida no século 19, a tradição do nhoque da fortuna é celebrada todo dia 29.
Costume surgiu em Nápoles
A tradição começou em Nápoles, também berço da famosa pizza marguerita. Conta-se que o padroeiro da cidade, São Gennaro (no Brasil, São Januário), nascido em 270 d.C., era um devoto à causa dos necessitados. Em 29 de algum mês não especificado, ele teria viajado por diversas aldeias e, vestido de andarilho, começou a pedir comida nas casas. Em uma delas, um casal de idosos muito simples resolveu dividir com ele o pouco que tinham para alimentar toda a família. Serviram um prato de nhoque, dividido em sete unidades para cada um. Muito satisfeito com a bondade, ele desejou, ao fim da refeição, “fortuna” ao casal. A palavra, em italiano, significa sorte. Em uma das versões da história, logo depois que ele saiu, os velhinhos encontraram moedas de ouro debaixo do prato — daí a tradição de colocar uma nota sob a louça.
Também dizem que, passado algum tempo, São Gennaro voltou à casa dos anfitriões. Eles contaram que, desde sua visita, a vida da família havia melhorado muito. Então, o santo pediu que todo o povoado se reunisse para comer nhoque nos dias 29 de cada mês, como forma de chamar a prosperidade. No Brasil, a tradição chegou com a imigração italiana. Apesar de, com o tempo, já não ser tão popular quanto antigamente, são vários os restaurantes, principalmente de São Paulo, que preparam nhoques especiais nesse dia.
Já a história do prato é bem mais antiga. O magistrado Lúcio Licínio Lúculo, cônsul da República romana em 151 a.C., descreveu o nhoque em uma correspondência. Naquela época, ele era feito de sêmola, sal e manteiga e recheado de peixe. No século 16, quando as batatas começaram a ser cultivadas na Europa, elas substituíram a sêmola e se tornaram o ingrediente principal do prato. (PO)


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